Quando o esforço encontra a fé: talento, produtividade e o coração

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Por muitos anos, eu acreditei que algumas conquistas simplesmente não eram para mim.
Não porque eu não quisesse, mas porque, em algum lugar dentro de mim, eu achava que não era boa o suficiente, que não tinha talento ou que aquilo não fazia parte da minha história.

Eu pensava assim sobre várias áreas da minha vida. Matemática, por exemplo, era algo que eu decretava como um ponto final. “Não sou boa nisso” e pronto. Eu até passava, fazia o mínimo necessário, mas não me esforçava além. Era como se eu tivesse aceitado aquele limite como definitivo.

Com o tempo, leituras, terapia e muita reflexão, comecei a perceber que essa visão era limitada. Algumas coisas realmente envolvem talento, mas muitas outras dependem de esforço, constância e disposição para aprender.

Quando o “talento” é, na verdade, esforço

Lembro de uma situação muito marcante durante um curso de micropigmentação. Ao ver o traço impecável da professora, comentei, admirada, o quanto ela era talentosa. Ela me interrompeu na hora e respondeu algo que ficou gravado em mim:

“Talento não. Sou esforçada.”

Essa frase virou uma chave dentro de mim. Quantas vezes eu deixei de avançar porque achei que não era capaz, quando, na verdade, o que faltava era dedicação, prática e persistência?

Ao longo da minha jornada acadêmica e pessoal, percebi o quanto eu me conformava com a média. Não por falta de capacidade, mas por acreditar que aquilo já era o meu limite.

O esforço que transforma, mas não ocupa o centro

Livros como Mindset me ajudaram muito a ampliar essa visão. Eles mostram como nossas crenças moldam nossas ações e resultados. Mas, em determinado momento, algo começou a entrar em conflito dentro de mim.

Onde Deus entra nessa história?
Qual é o lugar da fé quando falamos tanto sobre esforço, performance e produtividade?

Muitos conteúdos de desenvolvimento pessoal colocam o ser humano no centro de tudo. “Você consegue”, “você é capaz”, “depende só de você”. Eu não acredito que isso esteja totalmente errado, mas percebi um excesso. Um risco de transformar o esforço em idolatria e o resultado em identidade.

Foi aí que comecei a buscar leituras com uma perspectiva cristã, que me ajudassem a alinhar crescimento pessoal com fé.

Produtividade Redimida: quando o coração vem antes da prática

Um dos livros que mais me marcou foi Produtividade Redimida, de Alen Porto. Eu li esse livro como um devocional, todas as manhãs, aos poucos, refletindo e ruminando cada capítulo.

O que mais me tocou foi a forma como ele começa pelo coração. Antes de falar de técnicas, hábitos ou ferramentas, ele fala sobre intenção, orgulho, procrastinação e ego.

O autor traz uma verdade poderosa: produtividade não é sobre fazer mais, ganhar mais ou conquistar mais. É sobre adorar a Deus com a nossa vida, a partir de um coração alinhado a Ele.

Um trecho do livro diz:

“Produtividade não é sobre atingir seus sonhos ou ficar milionário. Produtividade é sobre adorar a Deus com a nossa vida, agindo a partir de um coração alinhado ao Deus verdadeiro.”

Isso muda tudo.
Quando estamos cansadas, procrastinando ou negligenciando responsabilidades, a raiz não está apenas na falta de disciplina, mas muitas vezes no coração. No orgulho, no medo, na autossuficiência ou na falsa humildade.

Liturgia do Ordinário: encontrar Deus no cotidiano

Outra leitura que tem sido muito especial para mim é Liturgia do Ordinário. É um livro leve, profundo e extremamente real. A autora nos ajuda a perceber Deus no caos do dia a dia, no trânsito, nos imprevistos, nas tarefas repetitivas, nas discussões, no cansaço.

Ela nos lembra que não existe separação entre o espiritual e o cotidiano. Tudo é lugar de adoração.

O cuidado com a casa, com os filhos, com o casamento, com as pessoas ao nosso redor também é missão. Assim como o trabalho “visível” no Reino é importante, o trabalho silencioso e ordinário também é valioso aos olhos de Deus.

Esse livro me ajudou a olhar para minha rotina com mais leveza e reverência, entendendo que até Jesus viveu muitos anos no ordinário antes de iniciar seu ministério.

Esforço, fé e rendição diária

Hoje, eu entendo que existe, sim, a nossa parte. O esforço importa. A busca importa. A constância importa. Mas nada disso faz sentido se Deus não estiver no centro.

Não é só orar e esperar cair do céu, assim como também não é agir como se tudo dependesse apenas de nós. É caminhar com Deus, alinhar o coração, agir com diligência e, ao mesmo tempo, saber se render.

Às vezes, a maior oração é o corpo que se dobra quando as palavras não saem. Deus entende.

Todos os dias, precisamos renunciar ao nosso ego para que Cristo apareça. Precisamos lembrar que buscamos validação, aceitação e reconhecimento, mas nossa identidade está nEle.

Que Cristo seja o centro da nossa rotina, das nossas decisões, do nosso esforço e do nosso descanso.

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